Portal da Cidade Porangaba

Memória e Cultura

Cezarino Antunes Corrêa: o maestro que marcou a história musical de Porangaba

Compositor, maestro e músico porangabense deixou um importante legado cultural e formou gerações de músicos na cidade.

Publicado em 11/03/2026 às 13:33

Cezarino Antunes Corrêa: o maestro que marcou a história musical de Porangaba (Foto: Arquivo Toninho do Carmo )

Nascido em 1º de janeiro de 1914, em Porangaba, Cezarino Antunes Corrêa se tornou uma das figuras mais importantes da história musical do município. Filho de José Antunes Corrêa e Maria das Dores Corrêa, cresceu em uma família humilde e numerosa, formada por nove irmãos: Cesarino, Cornélio, Juca, Antônio, Brasiliana, Rosa, Palmira, Alzira e Virgínia. Desde cedo demonstrou aquilo que muitos consideravam um verdadeiro dom: a música.

Aos 18 anos, Cezarino conheceu Maria durante um jogo de futebol. Após seis anos de namoro, os dois se casaram na Igreja Matriz de Porangaba e formaram uma grande família, tendo nove filhos: José Arlindo, Maria de Lourdes, José Almiro, Maria Antonia, Maria José, Maria Aparecida, Maria Lázara, José Cezarino, entre outros descendentes que deram continuidade à família.

Apaixonado pela música e pela convivência com amigos, Cezarino montou um conjunto musical chamado “Galho Seco”, que animava festas de casamento, aniversários e os finais de semana no tradicional Clube 21 de Abril. Nas apresentações, era comum vê-lo tocando instrumentos como requinta, bandolim ou clarinete.

Homem determinado, sensível e temente a Deus, Cezarino também era um leitor assíduo e tinha na Bíblia seu livro preferido. Durante toda a vida permaneceu em Porangaba, dividindo sua rotina entre o comércio de calçados e a dedicação à música.

Como compositor, deixou uma vasta produção musical composta por 10 dobrados, 2 valsas, 1 marcha, 1 marcha religiosa, 2 marchinhas, 2 sambas e 5 choros. Entre suas composições estão obras como “Narciso Cezário” (1942), dedicada a um amigo que partiu em busca de uma vida melhor; “Carlinho Ferreiro” (1946), homenagem a um grande amigo; e “Luiz Manoel Domingues” (1950), dedicada ao presidente da banda que o apoiava.

Cezarino Antunes Corrêa: o maestro que marcou a história musical de Porangaba Créditos: Arquivo Toninho do Carmo 

Outras composições também marcaram sua trajetória, como o dobrado “João Martinho” (1960), feito em homenagem a um clube de futebol de Tatuí, além de “São José” (1960) e “Viva Santo Antônio” (1962), inspiradas na fé religiosa. Em 1969, dedicou o dobrado “Marcos Cézar Machado Corrêa” ao seu primeiro neto.

Uma das músicas mais lembradas é a valsa “Não chores mais”, composta para sua esposa Maria após um desentendimento. Segundo relatos, quando ela chorava, ele dizia carinhosamente: “Maria, não chores mais”, frase que inspirou a composição.

Além de compositor, Cezarino teve papel fundamental como maestro e professor de música, dedicando-se ao ensino e ajudando a formar uma geração de músicos porangabenses.

Seu talento também foi reconhecido regionalmente. Em 1966, conquistou o tricampeonato em um concurso de bandas realizado na cidade de Botucatu. No mesmo ano, recebeu da Câmara Municipal de Porangaba o diploma de “Músico Emérito”, reconhecimento por sua contribuição à cultura local.

Mesmo recebendo propostas para trabalhar como músico e maestro em outras cidades, Cezarino preferiu permanecer em Porangaba, cidade que amava, vivendo próximo de sua família e amigos.

Seu legado segue vivo através de seus descendentes. Seus filhos José Maria e José Cezarino também se tornaram músicos, e vários de seus netos continuam seguindo o caminho da música, mantendo viva a tradição iniciada por ele.

Cezarino Antunes Corrêa faleceu em 4 de fevereiro de 1982, deixando uma história marcada pela dedicação à música, à família e à cultura de Porangaba. Seu nome permanece como símbolo da tradição musical e da memória cultural do município.

Fonte:

Participe do grupo do Portal da Cidade no WhatsApp