A história de José Domingos Fogaça, carinhosamente conhecido como “Neto fogaça ”, é um retrato de superação, liderança e dedicação ao desenvolvimento de Porangaba. Nascido no Bairro dos Lopes em 19 de abril de 1935, filho dos agricultores Oswaldo Leite Fogaça e Judith Miranda, ele cresceu enfrentando desafios desde os primeiros meses de vida, quando contraiu poliomielite — condição que trouxe limitações físicas, mas nunca diminuiu sua força de vontade.
Ainda na infância, demonstrou determinação ao buscar estudos fora da cidade. Mudou-se para Campinas, onde frequentou o Liceu Salesiano, motivado também pela necessidade de acesso a melhores recursos médicos. Posteriormente, seguiu para Tatuí, onde estudou no tradicional colégio Barão de Suruí. No entanto, novas complicações de saúde exigiram cirurgias, levando-o a interromper os estudos.
Início da vida profissional e familiar:
De volta à sua realidade, Neto fogaça iniciou sua trajetória profissional ao lado do pai no comércio de suínos. Em 1956, enfrentou uma grande perda com a morte do pai em um acidente de trator, assumindo responsabilidades ainda jovem.
No ano seguinte, em 1957, casou-se com Irene Moreira Fogaça, com quem construiu uma família de cinco filhos: Oswaldo, Eduardo, Roberto, Roque e Rogério. Descrito como comunicativo, sonhador e empreendedor, Neto fogaça marcou a vida de todos ao seu redor com sua personalidade forte e generosa.
Vida política e atuação pública:
A política sempre esteve presente em sua trajetória. Atuou por anos em partidos como a Arena e o PDS, ligados ao período militar brasileiro entre 1964 e 1984.
Seu primeiro grande marco político veio em 1964, quando foi eleito vice-prefeito de Porangaba. Quatro anos depois, em 1968, foi eleito prefeito do município, exercendo mandato até 1972. Durante esse período, contribuiu ativamente para o desenvolvimento local.
Em 1969, foi um dos fundadores do Sindicato Rural Patronal de Porangaba, entidade na qual exerceu diversos cargos, incluindo a presidência — função que manteve até o fim da vida. Também teve forte atuação no meio sindical, sendo membro da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (FAESP) e participando da União Democrática Ruralista (UDR), sempre defendendo os interesses do setor rural.
Empreendedorismo e atuação regional:
Na década de 1970, mudou-se para Tatuí após uma negociação de propriedades rurais, onde permaneceu até 1990. Em 1976, fundou uma empresa de calcário no Bairro dos Lopes, em parceria com familiares, gerando empregos e contribuindo para a economia local, especialmente durante os anos 80.
Mesmo fora de Porangaba, não se afastou da política. Em 1982, foi convidado a disputar uma vaga na Câmara Municipal de Tatuí, sendo eleito vereador para o mandato de 1983 a 1988.
Ex-prefeito, vereador e líder ruralista deixou um legado marcado por trabalho, resiliência e compromisso com a comunidade Crédito/Imagem: Acervo Toninho do Carmo
Retorno a Porangaba e legado final:
Em 1990, retornou a Porangaba. Apesar de inicialmente afirmar que estava aposentado da política, sua vocação falou mais alto. Em 1994, reassumiu a presidência do Sindicato Rural, o que o levou a integrar o Conselho Fiscal do SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), trazendo cursos e capacitações importantes para a população.
Em 2003, participou da fundação do Partido Verde (PV) no município e, no ano seguinte, foi eleito vereador, retomando sua atuação no Legislativo porangabense, onde permaneceu até seu falecimento.
Um legado de valores e reconhecimento:
Mais do que cargos e realizações, José Domingos Fogaça deixou como principal herança valores como honestidade, solidariedade e compromisso com a comunidade. Sua trajetória inspira gerações e reforça a importância da perseverança diante das adversidades.
Em reconhecimento à sua contribuição, a Lei nº 02/2011 determinou que o Centro de Lazer do município passasse a levar seu nome, eternizando sua memória como parte fundamental da história de Porangaba.
A vida de Neto fogaça é um exemplo de que as dificuldades podem ser transformadas em força, e que o compromisso com a coletividade constrói legados que atravessam o tempo.